Meu Adorável Umbigo

não amor, isso não é literatura!

Quarta-feira

cinco meses que eu sei o que é amor. Calmo, intenso e convicto.




Quinta-feira

uma palavra me delineia,


" "

Terça-feira

"O homem é uma corda atada entre o animal e
o além-do-homem - uma corda sobre um abismo."

Nietzsche



coloca o disco pra rodar de novo
de novo, de novo, e de novo
cada frase um segredo novo, amor é papel reciclável
abstinência é privação voluntária
cada frase um segredo
me posto a rir do que é póstumo
ainda que hermética, lhe abro as pernas sem pudor.

Quarta-feira

a mulher cética

[sentada no chão sem cruzar as pernas, exibe sutil as unhas vermelhas - depois ri de mim indecisa entre graça e indignação. mas fala convicta que não]
como explicar, num labirinto de teorias, que eu sinto tua existência em tudo que me toca os olhos?

Segunda-feira

meu velho me deu um susto.

(cogitar a possibilidade me faz mergulhar no silêncio, no suor quieto do medo)

Dona Morte passa reto.

Quinta-feira

Ela: É sinal de lesão medular incompleta

a) priapismo.
b) diabetes insipidus.
c) reflexo cutâneo anal presente.
d) laseg.
e) bexigoma.

Eu: reflexo cutâneo anal presente!
Ela: Uau... acertou!!!!
Eu: uma questão de lógica. rs



Oh! Digo o mesmo! E chamo de dona, Dona Morte.

Terça-feira

diferente de tudo. fechar os olhos e dormir tranquila. abrir os olhos e se sentir a salvo, faça chuva ou sol. amor é mais do que paciência. não é abismo e nem vertigem.
é exercício de respeito. é construção. é tesão que não machuca.

Segunda-feira

Virada Cultural

Passear pelas ruas do centro e ver um bando de adolescentes com garrafas de bebida como simbolo ou manifestação de algo que no auge dos meus 25 anos já não entendo mais, passear sobre um tapete de pelo menos cinco centímetros de lixo e mijo e respirar fundo o vapor das ruas com orgulho dessa garotada tão educada e focada em cultura, desmaiados nas calçadas, bêbados e drogados no meio da merda. Um bom retrato. Todo ano um retrato, um espelho. Pão e circo. Perder esse espetáculo realmente não tem preço.

Quarta-feira

catarse

Do lado esquerdo do peito, meu segundo coração bate grávido de um amor daqueles que duram a vida toda, pulsa mais zen que o dalai lama.
Minha intuição é algo foderoso. Deve ser por isso que nada nunca surpreende meu coração direito, niilista e menos útil que minhas amígdalas.


controlo com finta de equilibrista o caos e a doçura por trás desse meu peito de titânio. ninguém além de mim.

Quinta-feira

sorriso na minha cara é buraco negro engolindo a cidade.
no mais, tudo bem.
fim de férias, que delícia.

Sexta-feira

ops, tô de férias.


Segunda-feira

Meu coração não pulsa, cavalga afoito.

Lá no dentro de mim só tem silêncio amém. Silêncio adorado com peso de sopro e forma de lança. Ataco de fora pra dentro. E não desejo nada a ninguém, a não ser a mim mesma.


"Tenho a paz: não quero mais, não espero a herança prometida em papel-bíblia, sou aquele a que nunca visei porque não podia vislumbrar até aqui, a carreira da vida é um constante assombro quando nos vemos assim de repente de frente ao Mar a sós com ele e nos perguntamos: sou eu este que olha o mar em meio à jornada? sou eu este momento com um passado que desconheço? sou eu à deriva ou me construo? sou eu o meu passado ou ele não passa de uma ferida para sempre coagulada? sou eu o meu presente? e este instante assim avulso, sou eu? a quem pertenço se não aos elementos? recordar é viver? ou tudo não passa de um mesmo aí? sou um elo da força ou uma ameba incrustada no vão do Universo? faço parte? tenho futuro? alguém me chama? alguém me reclama? alguém me resgata?" JG Noll